Paraquedas Social Club

Conseguirei me convencer?

Sábado, Dezembro 12, 2009

::Cecília e a (des)afeição::

Não parece, mas nesta vida Cecília foi condenada a não amar. Em um plano espiritual, seres evoluídos impuseram-na uma única regra: nada de cercas, de despedidas dolorosas, de sofreguidão. Proibiram-na também de escrever cartas de amor e limitaram o desfrute de tardes dedicadas à luz e ao toque. Paradoxalmente, ela recebeu uma missão. Serás poetiza e moverá o mundo com seus versos, fará florescer secretamente sentimentos e, principalmente, liderará discretamente uma campanha contra o desamor.
Parece ironia e não é, pois quem ama ritualiza muitas perdas. E para construir uma casa onde o amor possa residir sem medo é preciso ser pragmática e praticar certo desdém. Sem peso.
Cecília foi condenada a não amar e também não ser amada, nem em silêncio... Não a proibiram de odiar, pois sabemos por que odiamos. Com amor nada é preciso, certo, a sua propriedade avassaladora impede qualquer tipo de previsão.
Apesar disso, Cecília é uma mulher feliz. Entendeu o que era necessário na vida: um prato quente sobre a mesa, Tchaikovsky, se enroscar na coberta enquanto chove, flores, queijos e dedicação.
Os seres supremos nem desconfiam, mas a missionária ao viver demasiadamente o que é ínfimo encontrou o que existe de mais denso e eterno. Por que o amor... O amor é se derramar pacientemente em cada gesto. E só o encontramos quando aprendemos a deslizar sem apego sobre a beleza.

Quarta-feira, Dezembro 09, 2009

::Rio::

Minhas vontades já não são as mesmas... Meus desejos são vários e difusos. Por causa disso, eu me atrapalho, o vazio me transborda, me inundo de emoções - que vez ou outra são materializadas em versos. Eu já não sou só eu, sou um rebanho, um grupo, uma multidão...

Eu estou adolescendo e preciso de um rio que escoe meus orgasmos. É... Eu preciso de um rio embaixo da minha cama.

::Pausa dramática::

Todos os homens são estúpidos

Não só os canalhas

Todos os homens são estúpidos

Não só os ingênuos

Todos os homens são estúpidos

Não só os diabólicos

Todos os homens são estúpidos

Não só os pseudo-intelectuais

Todos os homens são estúpidos

Não só os idealistas

***

Sempre nos elaboramos a partir do olhar do outro... O outro, por mais estúpido, é necessário para que eu seja eu...

Terça-feira, Novembro 24, 2009

::Tirinhas dos Malvados::





Não resisti...tive que publicar.

Domingo, Novembro 22, 2009

::Alice ou o anjo da destruição::

Alice acordou no meio da tarde um pouco confusa. Virou de um lado pro outro impacientemente, puxou lentamente para junto de si o livro de cabeceira - Meu destino é pecar, de Nelson Rodrigues – e folheou umas páginas. Desde cedo estabeleceu uma estranha ligação com as Leninhas, com os Paulos e, principalmente, com os Almeidinhas... Sorriu pensando na ironia daquilo tudo. Percorreu o apartamento, mas ele ainda não tinha voltado.

– Coitado, pensou...

Ela sabia a maneira perfeita de fazê-lo odiar. Odiar a si mesmo, o apartamento apertado, o pão francês da Padaria do Pingo e até Caetano. Entrou no banho, acendeu umas velhas, ligou o mp3 e pensou na reação dele quando voltasse e a encontrasse tão estranhamente harmoniosa. Ensaboou o corpo lentamente, coxas, braços, pescoço. Pensou em como gostava de ser tocada dessa forma, mas desse jeito - desse tão intimamente natural e ousado - só ela sabia fazer. Lembrou-se dele com um sentimento que não soube classificar, mas era amargo... Sentiu um abafamento e desligou o chuveiro, apagou as velas, da cena inicial só Gal permaneceu intacta.

Quando ele voltasse, Alice teria que enfrentar o dia a dia... A vida certinha de pseudo dona de casa a violentava, só ele parecia não entender. Ela era um anjo destruidor, um eterno ‘sim, quero muito’, um corpo entrelaçado em um grito.

Ouviu o barulho das chaves na porta, mas permaneceu escovando os cabelos no quarto do casal. Ele entrou e tirou os sapatos, para que a madeira grosseira do solado não produzisse um alerta de sua chegada. Álcool. Comportamento expansivo. Caminhou firme até o quarto, encostou-se na porta e viu Alice de costas penteando seus cabelos molhados.

Caminhou até ela e a tomou como uma coisa sua, mas o império de Alice se estendia por todo aquele corpo deserto. Nesse momento, ela já mostrava as coxas e se insinuava... beijou-o de modo intenso e molhado. Ele relembrou a briga, as palavras violentas jorradas por aqueles mesmos lábios. Olhou-a nos olhos, pensou que com Alice a vida era mel e asfalto. Arremessou-a na cama e escalou seu corpo até que suas bocas novamente se cruzaram. Ela mordeu seus lábios e ele retirou sua calcinha.

Terça-feira, Novembro 17, 2009

::Dignidade Já!::

Acordei ouvindo o tema de Flashdance...ainda na cama comecei a sentir que o dia pode ser bem estranho...

Domingo, Novembro 15, 2009

::Desconstruindo Alice::

Inusitadamente, perguntaram-me se eu sou Alice...respondi apenas com um não tímido e simplório. Entretanto, eu poderia ter dito:

- Não! Eu não sou Alice, mas Alice tem muito de mim. Ela é uma das mulheres que vivem aqui dentro. Você não sabe, mas faz tempo que eu não sou só eu, sou um mosaico polifônico e tento em vão organizá-las. Alice é a parte de mim mais estupidamente impulsiva, idiota e covarde.

::Alice II::

Saiu de casa entristecido. Caminhou durante um tempo, pois precisava refletir. Reviveu situações e pensou nos equívocos e consequências daquela relação. Fumou o quinto cigarro. Cansado das ameaças e das inúmeras advertências, abrigou-se em um bar. Cerveja e tequila. Após algumas horas, embriagado, lembrou-se das tardes que se dedicou simplesmente a contemplá-la. Não era mesmo possível negar que a amava, mas ela infelizmente adorava uma baixaria. Olhou para o garçom seguramente e pediu um Hi-fi.
Alice enraivecida pegou em si e em sua bolsa e foi para a rua. Já era tempo de achá-lo, segurá-lo e levá-lo de volta para casa. Na esquina encontrou uma velha conhecida e durante alguns minutos conversaram banalidades. Interrompeu a conversa quando o viu passar com um andar inseguro do outro lado da avenida. Despediu-se rapidamente, pois começou a se arrepender da briga matinal. Foi ao mercado. Palmito, rúcula, tomates, kani, alcachofra, batatas e queijo. Cozinhou insegura um almoço para dois. Alice era assim: equivocada e passional. Chorou. O amor de Alice era um amor com muitos sobrescritos, por isso único e verdadeiramente amoralice.

Domingo, Novembro 08, 2009

::Alice::

Fiquei parado na porta... Eu estava espantado, mas ela continuava a gritar um turbilhão violento de blasfêmias, com aquela boquinha rosada. Apesar daquele escândalo, os lábios de Alice foram feitos para o murmurar delicado das confidências do amor. Eu permaneci horrorizado durante algumas horas...aquela mulher me fazia estremecer. Observei-a demoradamente só para ter absoluta certeza que ela na verdade não era uma mulher, era um epigrama da sensualidade.

Quinta-feira, Outubro 15, 2009

::Bem-querer::

Sou a paraninfa da turma do 3º ano da escola, a professora que discursará na formatura.
Faz dias que tento colocar no papel tudo que sinto... Tarefa árdua! Como dizer para seus alunos que você realmente se importa com eles, que você acredita muitomuito em todos, que ama a convivência e tudo mais, sem cair no senso comum? Parece-me que tudo já foi dito...
Há dias tento pelo menos começar, mas basta pensar para lacrimejar um pouco. Dois anos intensos de convivência, muitos acontecimentos, outros caminhos, muitas histórias, muitas risadas. Será que eu preciso me preparar para não chorar?

Ainda não me acostumei, mas eles sempre acabam indo embora. Eu fico um pouco órfão da convivência.

Segunda-feira, Outubro 12, 2009

::Aquarela e Kajal::

Faz tempo que eles se conhecem, mas nem sempre foi tenso... Há algum tempo, eles tinham uma convivência tranquila, socialmente construída e, de certa forma, estável. Costumavam se encontrar bastante. Nessas ocasiões, conversavam muito (ou satirizavam? nunca entendi bem o tom...), mas o que importa para este relato é que eles costumavam rir e beber pelo menos uma vez a cada 15 dias.

Acontece que de repente, sem muita explicação, o desenho da amizade ficou opaco e o clima tenso. Nem um dos dois sabia como agir. Já não bebiam mais juntos, não ficavam sozinhos, não ironizavam (nem a si mesmos e nem os outros). A situação era delicada, estranha e bem clichê.

Ela pensou em escrever para consultórios sentimentais, Gravata ou Carpinejar? Não importava...a resposta seria a mesma. Ele pensou em viajar para Bahia ou para Manaus, mas nenhuma morenapotiguarapurafantasia resolveria o problema.

Foi na festa de aniversário de um amigo árabe em comum que a situação entre os dois tornou-se pública. Muitas pessoas bêbadas, desprovidas de senso moral ou estético, não desgrudaram os olhos dela, que vestia um lindo vestido turquesa e se insinuava como podia enquanto dançava. Quando ele percebeu quem ocupava o centro das atenções, ficou evidentemente nervoso, transparente, seus olhos constataram o óbvio: ele estava diante de uma sensualista. Virou as costas, sentou novamente com os homens, improvisou uma conversa séria sobre o cenário político e se recolheu... E todo mundo notou quando foi visivelmente transtornado embora.

Tanto tempo de convivência, de pseudoamizade, e ela ainda conseguia surpreender... Ele voltou para casa perturbado, existia uma mulher atravessada nos seus olhos e ela deixava tudo cada vez mais sombrio. Ele, adepto da racionalidade, sabia que podia lidar com tudo, menos com aquela defesa de que os sentidos é que deram origem as ideias. Deitou em sua cama sem trocar de roupa. Fechou e abriu os olhos violentamente. Entretanto, ela continuava lá. Só que agora sorria maliciosamente. Ela tirou lentamente a roupa e passou o resto da noite perturbando a mente matemática do pobre rapaz.

O telefone tocou logo cedo. Era ela... Reclamava que não tinha dormido direito, mas que tinha sonhado com ele. Convidou-o para um café europeu e ele aceitou. Ela sabia que precisava recuperar uma parte de si que ficara com ele desde a noite passada, ele precisava livrar-se da imagem perturbardora, por isso a devolveria sem protestar. Na porta do apartamento ele hesitou, mas prosseguiu. Encontrou-a de short jeans e camiseta ajustando os detalhes da mesa. Ela era tão diferente daquela parte que o atravessava... Devolveu-a sem questionar. Tomaram café tranquilamente ironizando a vida das pessoas desconhecidas que caminham apressadamente pelas ruas.

Às vezes a gente precisa se misturar um pouco pra voltar a ser o que era, ou justamente para não voltar a ser.

Quinta-feira, Outubro 08, 2009

::Namoro na adolescência::

Como já dizia Lygia Fagundes Telles , eu prefiro se amada que ser compreendida. Compreender é uma tarefa hercúlea. Ultimamente, eu ando preferindo, quando posso, as tarefas que são apenas árduas. Digo isso porque faz tempo que me prometi este texto, já faz tanto tempo que comentei sobre isso com o Eric lá na “pizza”... Faz tempo mesmo que faço reflexões a respeito do namoro na adolescência, mas nunca chegava o momento de escrever esse pequeno questionamento... Procrastinei o quanto pude, elegi outro tema, forcei um assunto, um devaneio...acho que ele foi mais forte que eu.
Ano passado, li um livro ótimo de Vinicius de Moraes, doação de uma ex-sogra - tão boa quanto Vinicius, mas nem um pouco imoral - que me motivou um pensamento sobre o namoro juvenil. Eu lia uma de suas crônicas, na qual descrevia um namoro entre adolescentes em um parque, e imediatamente lembrei-me de alguns bons anos atrás...
Naquela época, eu não tinha nem um puto no bolso, só existiam dois shopping em BH e não existiam chapinhas, nem essa maldita ditadura da magreza e muito menos namorados motorizados. Íamos de um lado para outro a pé, voltávamos juntos do colégio, ficávamos horas na pracinha do bairro jogando conversa fora. Não tínhamos horário pra quase nada e muito menos celular. Entretanto, uma coisa permace a mesma: adolescentes namoram na rua sem nenhum pudor... Encostados no muro de um prédio qualquer ficam a milímetros de distância um do outro, se beijam e se tateiam vorazmente (na grande maioria das vezes se lixando para os limites ou para os demais transeuntes).
Lembrei-me do meu primeiro namorado (meu primeiro amor mesmo, ai que clichê!), eu tinha 15 anos, ele era um garotinho engraçadinho, descendente de árabes, que jogava futebol na escola. Trocamos nosso primeiro presente do dia dos namorados na rua, sentados em um passeio perto da casa dele... Existe uma singeleza no namoro nessa fase, uma áurea especial, um eutequeromuitodesesperadamente tão verdadeiro que dói.
O fato é que entre a adolescência e a fase adulta alguma coisa se perde, uma luz se apaga e nunca mais namoramos do mesmo jeito. A (im)paciência - que mora na adolescência - dá uma graça diferente a todo o processo. Namoro na adolescência é quando o cheiro do outro fica impregnado no nosso pulmão.
Ai...quando eu pensava na vida, pensava diferente... Esperava que fosse única mas na fase adulta existe uma pressa, uma aflição incômoda. Crescer teve seus pontos negativos... Eu queropreciso(será que consigo?) resgatar a mistura de sentidos, o namoro na porta de casa, o coração batendo forte, borboletas no estômago, calça de moletom e a preocupação única de ter aquela companhia.



Segunda-feira, Outubro 05, 2009

::Quase tudo o que é sexual, inspira coisas boas::

tesão não tem lugar. Na hora eu só fiz drama...quem me conhece sabe...eu sou a rainha dos dramas. Mas hoje queria dormir com você amarrado na minha cama. Quero todos os seus beijoslongosdemorados. Me tira daqui?

Não, eu não quero parar de senti-lo. Beija minhas costas? Assim... Desse jeito eu sinto falta de ar. Eu reparei que antes do beijo você sempre dá uma olhadinha para o lado. Dissimula,quase faz cara de espanto. Sério? Eu sou apenas um capricho? E você fala isso na minha frente? Perco a cabeça, você faz com que toda a minha passividade se transforme em uma coisa meio louca. Tesão é sentimento? Sinto como se fosse, pois me transborda. Eu fico com uma sensação persistente do beijo.

Volto sozinha para meu quarto à noite... Relembro e quase chego a ouvi-lo: - quero mais de você, Maria! Hoje, eu tomei banho, procurei distrações, falei com amigos, mas isso não passa.

Quinta-feira, Setembro 03, 2009

::Poética::

Escrever é uma maneira de seduzir ou de afastar.
Escrevo me sentindo aprisionada em mim mesma, sentindo o determismo atuar sobre mim... Fadada à solidão.
Poesia, pra mim, é saborear a última refeição no corredor da morte.
É sentir-se condenada e com um último pedido. Suspiro.
Escrever é me enfeitar com colares de rendas e rosas.
Mas eu ando sem ar...epigramática...sem inspiração...24h anestesiada.

Domingo, Agosto 30, 2009

::Pessimismo::

É quando os olhos e a mente adoecem e a gente só consegue enxergar em p&b.